História do calçado desportivo 

Acredita-se que a primeira proteção para os pés (feita em couro de animais) terá surgido à cerca de 5.000.000 de anos, durante um dos períodos glaciares, esta dedução baseia-se nas circunstâncias climatéricas dessa época que terão forçado à proteção das extremidades inferiores, os antropólogos acreditam também que não existia diferenciação entre "sapato" direito e esquerdo.

As evidências mais antigas ao calçado aparecem em pinturas rupestres localizadas em Espanha e sul de França, datadas de 10 mil a.C.

Os sapatos mais antigos conhecidos datam de 8000 a.C, tratando-se de um par de sapatos de nativos Norte Americanos, onde se pode verificar diferenciação entre sapato esquerdo e direito.

Os sapatos em couro mais antigos conhecidos foram encontrados na Arménia e são datados de cerca de 3500 a.C.

A múmia, "Ötzi o Homem do gelo", encontrada nos Alpes italianos, calçava um par de sapatos à prova de água, aparentemente feitos para caminhar na neve; a sola feita de pele de urso, a parte superior em couro de veado e uma rede feita de cascas de árvores. Como isolante térmico, na função de meias, Ötzi utilizava tufos de erva macia, que envolviam o pé.

No tempo da primeira era olímpica, entre 776 a.C. e 393 ou 435 d.C, os atletas que participavam nos jogos faziam-no descalços, no entanto o império Grego/Romano era tão vasto que muitos atletas vinham participar nos jogos desde climas mais frios e faziam-no com calçado que não passava de sandálias de couro.

No inicio as sandálias eram vistas como um sinal de "provincianismo", no entanto quando alguns atletas calçados começaram a ganhar as provas, a opinião do publico alterou-se; primeiro desconfiando de batota, mais tarde quando se aperceberam que a sola em couro oferecia maior tração, todos os atletas passaram a utilizá-las.

Os Etruscos introduziram as tachas de metal na sola das sandálias, oferecendo maior tração e durabilidade. 

Apesar do calçado evoluir com o passar dos tempos os atletas continuavam a utilizar calçado que pouco mais fazia que cobrir os pés.

Alguns desses tipos de calçado eram engenhosos, por exemplo na civilização Maia existia um desporto (uma mistura de futebol e basquetebol) jogado até a morte por guerreiros que utilizavam um tipo de calçado feito de palha entrelaçada.

O ressurgir da pratica desportiva no Reino Unido pelo Sec. XVIII, obrigou ao desenvolvimento de calçado leve e flexível com capacidade de tração, tendo surgido o sapato em couro com bicos/tachas para tração.


"A indústria do calçado desportivo é uma indústria de materiais"

O primeiro sapato desportivo

Ninguém sabe ao certo quem o fez, comprou ou qual o seu aspeto.

O primeiro registo de um par de botas para a prática de futebol, aparece na lista do guarda-roupa de Henrique VIII de Inglaterra. Fabricadas pelo sapateiro pessoal de sua majestade, Cornelius Johnson em 1525 por 4 Xelins (cerca de £ 100 nos nossos dias).

Na década de 1830, no Reino Unido, são fabricados os primeiros pares de "plimsolls", sabrinas ou sapatilhas em português para ginástica pela " Liverpool Rubber Company" (que viria a ser a Dunlop).

Sabe-se que em 19 de maio de 1832 Wait Webster de Nova Iorque patenteou um processo de "aplicar solas de borracha índia em sapatos e botas" e que poderia estar a pensar na fabricação de calçado desportivo ou tipo desportivo.


Em 1839 nos Estados Unidos, Charles Goodyear patenteou a vulcanização, que consiste na aplicação de calor e pressão à borracha natural, estabilizando as suas propriedades fisicas e químicas.

A companhia "The candee Company" de New Haven, Connecticut foi o primeiro fabricante a produzir calçado com o processo de vulcanização "Goodyear".

Por isso o primeiro sapato desportivo não deveria ser muito diferente do que foi produzido em 1868 possuía sola de borracha e estrutura superior em lona com atacadores.

Desde os primeiros pares artesanais até à produção em série

A alta sociedade chamava-lhe "croquet sandal" (um tipo de desporto) e também os utilizavam para a prática de "Tennis", não é necessário dizer que estávamos perante um tipo de calçado caro, o catálogo "peck and Snyder Sporting goods" apareciam a 6 Dólares o par.

Por volta de 1873 já era chamado de "sneaker" (o equivalente ao "ténis" ou "sapatilhas" em português) e em 1897 o catálogo "sear's" apresentava os "Sneaks" a apenas 60 cêntimos de Dólar o par, contribuindo para que fosse considerado o sapato de desporto por excelência.

No inicio da década de 1900 a Spalding produziu o primeiro calçado designado especificamente para a prática desportiva nos Estados Unidos. Os atletas utilizavam-no para a competição e era constituído por uma sola e uma estrutura superior, ambas em couro macio, com atacadores.

Nos anos 1930, os sapatos de corrida eram feitos em couro ultra fino (espessura tipo papel) com uma sola em "crepe" borracha natural. Apesar de tudo eram leves (238 gr) e flexíveis.

Desde cedo, o couro se tornou o material de escolha para o calçado desportivo, pelas suas características de suporte, capacidade de respiração e ajuste, a lona torna-se igualmente um material muito popular por aliar a sua versatilidade e preço.

Após II guerra mundial a dificuldade em conseguir materiais aguçou a astúcia, surgindo calçado multidesportivo fabricado com excedentes militares, como por exemplo o modelo fabricado dela Gebrüder Dassler Schuhfabrik, recorrendo a materiais das tendas militares para o corte e depósitos de combustível de aviões para a sola.

Alguns desportos exigiam "bicos", "tachas" ou "Pitons" de metal, no entanto a maioria do calçado, qualquer que fosse o desporto, apenas era constituído por uma estrutura superior simples e uma sola, o calçado desportivo mais popular como Converse ou Keds apenas possuía uma sola rasa e uma estrutura superior em lona. As escolhas de um atleta variavam entre uma bota para basquetebol ou um sapato para ténis/ corrida.

A importância das tecnologias

A recuperação económica pós guerra permitiu a aplicação de novos materiais e tecnologias, como as primeiras botas de futebol com "pitões"/"pitons"/travas substituíveis com rosca, ou a primeira sola intermédia em espuma para amortecimento de impactos.

No final da década de 1960 o jogging tornou-se um desporto popular nos E.U.A. Quanto mais pessoas começavam a correr, a procura de calçado mais protector e confortável aumentava, ao mesmo tempo outros desportos começavam cada vez a ser mais populares, houve necessidade do desenvolvimento de sapatos cada vez mais específicos. Estas mudanças forçaram ao aproveitamento e aplicação de novos materiais e tecnologias.

A New Balance introduziu os primeiros sapatos para correr fabricados em massa com diferentes larguras, numa época em que existiam poucos corredores, a sola patenteada com o design "Ripple" evitava as "canelites" segundo o fabricante.

A força do marketing

Nos anos 70, o exercício físico continuou a ganhar popularidade, este crescente público de novos praticantes de corrida surgiram sapatos e marcas novas com materiais e tecnologias mais leves e inovadores.

No basquetebol por exemplo, passou-se de sapatos de sola em borracha látex com estrutura superior em lona (Como os converse All Star), para sapatos em couro ou materiais sintéticos, com solas intermédias em poliuretano ou E.V.A. de compressão moldado, com tecnologias de amortecimento como Nike Air, Asics Gel ou Reebok Dmx (apenas para nomear algumas), solas específicas para Indoor ou Outdoor e estruturas de apoio como faixas de velcro, reforços em carbono etc., muito diferente do que era chamado calçado de basquetebol nos anos 1970.

Nos anos 80 surgiram algumas das inovações mais importantes, como a sola intermédia de dupla densidade ou as solas em varus, aumentando a estabilidade. Ao mesmo tempo que foi uma época de experimentação tecnológica, cada marca via-se obrigada a apresentar novidades, especialmente novas tecnologias e materiais.

É igualmente nesta época em que os patrocínios se tornam milionários, o mais falado é o caso de Michael Jordan, tendo assinado um contrato com a Nike por USD $2,5 milhões ano, foi notícia pela liga NBA de basquetebol o multar em USD $5.000 cada jogo no qual utilizou as botas Nike coloridas, não conformes com o regulamento da liga, a Nike aproveitando-se do facto pagou as multas e lançou uma campanha afirmando que as botas eram tão boas que tinham sido consideradas ilegais pela NBA.

O calçado para correr também evoluiu de uma forma dramática. No inicio dos anos 70 apenas possuíamos um tipo de forma e formato (o Semicurvo), com uma construção colada com cartão em pouco ou nenhum material na sola intermédia. Hoje em dia podemos escolher entre três tipos de formatos: "Direito", "Semicurvo" ou "Curvo", vários tipos de construções, densidades de sola intermédia, tipos de sola de acordo com o terreno e mesmo características de apoio para compensar o ciclo mecânico do utilizador.

Mesmo os sapatos de "pitões"/pitons/travas evoluíram; hoje temos sapatos com pitons moldados, removíveis para pisos macios ou duros, de acordo com as necessidades dos praticantes (Sejam de futebol, basebol ou futebol americano, rugby ou outros).

Ao mesmo tempo existem hoje em dia uma série de categorias de sapatos que não existiam, por exemplo; sapatos para WalkingFitness, e Andebol, permitindo ao consumidor selecionar os sapatos de acordo com as suas necessidades específicas.

Uma área que tenderá a evoluir cada vez mais é a área da acomodação, na medida que a geração "baby boom" envelhece ( 75 milhões de pessoas nasceram entre 1948 e 1964 nos E.U.A.), vai querer sapatos cada vez mais confortáveis, forçando a indústria a procurar novas soluções, como novos materiais ou várias larguras.

A durabilidade das solas foi melhorada na década 80 do século passado e a estrutura superior é cada vez mais constituída por materiais mais leves e com mais apoio.

A sola intermédia é o componente que tem que evoluir mais, as solas intermédias atuais são o elo mais fraco do calçado desportivo, pois são maioritariamente feitas em espumas que tendem a comprimir e perder a eficácia com o uso.

Tecnologias como o Nike Shox são tentativas de reduzir ao máximo a dependência das espumas nas solas intermédias.

            







             

                         Sapato em couro 3500 a.C.

                  

                  

              








                  

Sapato recuperado de Múmia " Ötzi o Homem do gelo" e sua                reconstituição (3300 a.C.)


                     










                          Botas para Futebol anos 1890

                

                         Sapatos de bicos anos 1900


          









           

             Botas com pitons substituíveis; Puma 1952


           








            

Botas de futebol com tecnologia em forma de escamas para aumentar a potência e controle de bola; Adidas 1994





Quarta-Feira, 30 de Novembro de 2011 ( in http://www.calcadodesportivo.com) 

                                                                                                                                                                                                 - Voltar

 

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